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[COMENTÁRIOS] Serpentário, Felipe Castilho (Intrínseca)

 


Título Original: Serpentário
Ano: 2019
Autor/Autora: Felipe Castilho
Editora: Intrínseca
Gêneros: Fantasia / Ficção científica / Horror / Literatura Brasileira
Páginas: 368
Papel: Polém Soft

[COMENTÁRIO]
Eu estava com as expectativas muito altas depois de ler Ordem Vermelha, Filhos da Degradação, do Felipe Castilho; por causa disso, acabei me decepcionando bastante com Serpentário. A escrita continua ótima, mas a narrativa foi bem confusa e acabei não me apegando a nenhum dos personagens. Achei o desenvolvimento dos quatro personagens principais superficial e os trechos entre os capítulos acabam deixando tudo muito confuso; apenas mais para o final é que consegui fazer o link entre alguns deles e entender algumas coisas, mesmo assim, algumas questões ainda ficaram confusas para mim.

Para mim, Serpentário não funcionou. 

Apesar disso, a diagramação da Intrínseca ficou excelente. O papel é o soft pólen 70 com um acabamento especial em verde nas pontas.

Dica da Ari: Livro interessante, mas se o leitor chegou com Ordem Vermelha, pode se decepcionar um pouco.

Personagem favorito do livro: Nenhum
Cena marcante: Nenhuma





Sinopse oficial:
Todo ano, Caroline, Mariana e Hélio costumavam deixar a capital paulista para encontrar Paulo, um jovem habituado à simples vida caiçara. No entanto, a amizade construída nas areias do litoral sofreu abalos sísmicos no Réveillon de 1999, quando algo tão inquietante quanto o bug do milênio abriu caminho para uma misteriosa ilha que despontava no horizonte, e explorá-la talvez não tenha sido a melhor decisão.

Sobreviver à Ilha das Cobras tem um preço. O arquipélago é um ambiente hostil, tomado por víboras, e esconde segredos tão perturbadores quanto seus habitantes. Mais do que um equívoco darwiniano ou uma lenda popular, a ilha praticamente destruiu a vida deles. Entre memórias e fatos fragmentados, o que aconteceu naquela fatídica noite se tornou um mistério. Mas de algumas coisas eles se lembram perfeitamente: uma enorme e ameaçadora serpente, além de uma pessoa sendo entregue ao ninho da víbora, um sacrifício sem chance de recusa.

Anos depois, Caroline é confrontada com um de seus piores pesadelos: a pessoa que eles abandonaram está viva. Um fantasma do passado que surge para fazer suas certezas caírem por terra. Então, ela decide reunir os amigos para entender o que aconteceu. E talvez o encontro seja parte de algo maior... e maligno. Em Serpentário, Felipe Castilho mostra todo o seu talento ao mesclar referências do folclore e da mitologia a elementos da cultura pop, da ficção científica e do horror.


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[RESENHA] O Ceifador (Scythe # 1), Neal Shusterman (Seguinte)


Título em Português: O Ceifador (Scythe # 1)
Título Original: 
Ano: 2017
Autor/Autora: Neal Shusterman
Tradutor/Tradutora: Guilherme Miranda
Editora: Seguinte
Gêneros: Ficção científica / Jovem adulto / Literatura Estrangeira
Páginas: 448
Papel: Pólen soft
SKOOB | GOODREADS

O que motivou a leitura?
O GeekFreak =)

[RESENHA] - por Ariane
Enrolei, enrolei, enrolei, mas li! o/

Já sabia que a leitura de O Ceifador seria boa, é bem difícil que as recomendações do GeekFreak sejam ruins, então não foi uma grande surpresa uma leitura maravilhosa!

Quem assistiu algum dos Exterminador do Futuro já sabe o que acontece quando as máquinas ganham consciência própria, certo? Errado. Desta vez a Nímbo-Cúmulo, uma nuvem que continha todo o conhecimento acerca da humanidade, decidiu ajudar os humanos e erradicou todos os males humanos! Agora os humanos não morrem mais de doenças ou acidentes, eles são imortais!

"As pessoas temiam isso. Profetizavam a desgraça nas mãos de uma máquina desalmada. Pelo visto, porém, a máquina tinha uma alma mais pura do que qualquer ser humano."

E é aí que começam os problemas... Para impedir o crescimento descontrolado de uma população incapaz de morrer foi criada a Ceifa e com ela, os Ceifadores: humanos que tem como missão... tirar a vida de outros humanos. Pois é, os Ceifadores são treinados para matar: Facas, lança-chamas, armas, remédios etc. Não só isso, eles precisam cumprir cotas anuais de coleta sempre respeitando os parâmetros geográficos, de sexo e raciais pré estabelecidos, caso contrário, são proibidos de escolher quem coletar.

No meio disso que encontramos nossos protagonistas: Citra e Rowan; ambos levam uma vida normal até o inesperado encontro com o Ceifador Faraday que acaba escolhendo-os como seus aprendizes. Por diferentes motivos, os dois adolescentes acabam aceitando a oferta, apesar das incertezas e inseguranças. Apesar da insatisfação em ter que coletar outros seres humanos, Citra e Rowan começam a planejar seu futuro diante dos ensinamentos do ceifador Faraday. Eles aprendem sobre a importância e o respeito por sua missão e pelas vidas coletadas.

O desenvolvimento das histórias de Citra e Rowan é tão atraente quanto a construção deste novo universo. Neal Shusterman não tem pressa e cuida dos detalhes para cada uma das vertentes dos personagens. Quando os adolescentes são enviados para novos instrutores - Citra treinará com Curie, a Dama da Morte enquanto que Rowan cai nas mãos de Goddard e de seus ceifadores que se intitulam como 'a nova ordem' -. Passamos então a conhecer pontos de vistas diferentes: de um lado uma garota esforçada e dedicada que não aceita perder e que agora é instruída pela grande Dama da Morte, a ceifadora Curie, da velha ordemque acredita que aquela é uma função necessária para a manutenção do mundo, mas seus membros devem exercê-la com dignidade e sem obter prazer ao matar. Do outro um garoto comum que questiona sua falta de importância no mundo, o 'alface do hambúrguer', que passa a ser treinado por Goddard que não apenas sente prazer em matar como também se considera merecedor de uma vida de luxos e idolatrias.

"A cada coleta que faço, a cada vida que tiro pelo bem da humanidade, lamento pelo menino que um dia fui, cujo nome às vezes mal consigo lembrar. E sonho com um lugar além da imortalidade, onde eu possa, ainda que em pequena medida, ressuscitar o deslumbramento e ser aquele menino novamente. – Do diário de coleta do ceifador Faraday"

A leitura é rápida e a escrita muito fluída. A maneira como o autor desenvolveu a história foi magnífica e sólida; ele traz questionamentos difíceis e permite que o leitor medite sobre os dilemas morais apresentados. Outro ponto importante é que diante de tantas reviravoltas, Neal Shusterman ainda consegue nos entregar um livro com começo, meio e fim: o conflito é solucionado junto com o final da história.

Extremamente ansiosa para ler A Nuvem (Scythe # 2), já lançado no Brasil!

Dica da Ari: Para os amantes de distopias: não deixem de ler!!


Personagem favorito do livro: Curie =)
Cena marcante: As páginas do diário da Ceifadora Curie

Sinopse oficial:
Primeiro mandamento: matarás.

A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade.

Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco

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[RESENHA] Despertar (Xenogênese vol.1), Octavia E. Butler (Morro Branco)


Título Original: Dawn
Título em Português: Despertar (Xenogênese vol.1)
Ano: 2018
Autor/Autora: Octavia E. Butler
Tradutor/Tradutora: Heci Regina Candiani
Editora: Morro Branco
Gêneros: Ficção / Ficção científica / Literatura Estrangeira
Páginas: 352
Papel: Pólen soft 70g com revestimento de capa em couché brilho 150g

O que motivou a leitura?
Desde que li Kindred: Laços de Sangue há dois anos, tenho interesse nas outras obras da Octavia E. Butler. Inclusive, comprei Despertar em 2018, só que não tive tempo para lê-lo até agora.

[RESENHA] - por Ariane
Neste primeiro livro da saga Xenogênese, Octavia Butler nos apresenta sua nova protagonista: Lilith Iyapo, uma jovem negra que, antes da guerra que destruiu o planeta, perdeu o marido e o filho num acidente de carro.

Agora, 250 anos depois da destruição do planeta, Lilith é desperta pela raça alienígena Oankali, criaturas com aspecto humanóide que possuem protuberâncias parecidas com tentáculos por todo o corpo, com a missão de despertar os humanos ainda adormecidos e prepará-los para retornar a Terra. Não, é claro, sem pagar um alto preço por terem sido salvos da aniquilação.

De início, Lilith tem uma aversão extrema de seus salvadores (ou seriam captores?) e a humana leva um bom tempo para se acostumar com a aparência e estilo de vida na nave Oankali. Com o bom e velho clichê, os Oankali tem uma tecnologia muito mais avançada do que os humanos jamais sonharam em ter e são especialistas em biogenética - até mesmo a nave Oankali é viva! -. E enquanto os humanos estão adormecidos, os salvadores aproveitam para manipular os corpos humanos para melhorá-los e aprender sobre a raça humana: seus defeitos, necessidades, qualidades, o que é possível fazer e com eles e melhorá-los.

Isso tudo porque Oankali são uma espécie que para evoluir precisa de constante de permuta genética com outras raças e agora chegou a vez de misturar seus genes aos genes humanos! Divididos em três gêneros, os Oankali tem um relacionamento triplo: masculino, feminino e gênero neutro, chamado de ooloi, que é o que os conecta entre si e entre as raças com quem desejam fazer a permuta genética.

A relação de Lilith com sua família Oankali é ambígua: os alienígenas sempre parecem tratá-la bem e com dignidade, não usam a força para obrigá-la a aceitá-los ou a fazer o que querem que ela faça. Contudo, Lilith sabe que tudo que a cerca é uma falsa segurança, eles tem outras maneiras de convencê-la a fazer o que querem.

Despertar foi uma leitura arrastada para mim (eu poderia ter terminado em um dia, se tivesse me esforçado mais), mas não menos interessante. Como era de se esperar da Buttler, a narrativa é ágil e a leitura flui. É possível que eu tenha achado a leitura mais lenta por motivos de: necessidade de introduzir o leitor ao novo universo, então sempre há explicações e uma ambientalização maior.

Faço minhas as palavras da Lauren no post dela no skoob: "Terminei essa leitura num forte questionamento sobre consentimento e manipulação". Mesmo passado algum tempo desde a leitura, ainda fico me perguntando... Estou bastante ansiosa para ler Ritos de Passagem (Xenogênese #2) para ver se consigo um pouco mais de luz!

Dica da Ari: Comece a leitura preparado(a) para abrir a cabeça para novas questões.


Personagem favorito do livro: Provavelmente a Lilith, mas também gostei muito de Nikanj.
Cena marcante: Quando Lilith anda pela nave a procura de outros humanos. =)

Sinopse oficial:
Há vida inteligente lá fora e é ela que salva a humanidade de si mesma.

Quando Lilith Iyapo desperta após 250 anos de animação suspensa, descobre que o planeta Terra e os seres humanos sobreviventes de uma guerra catastrófica estão sob a guarda dos Oankali, uma espécie alienígena com habilidades e tecnologias tão impressionantes quanto sua aparência é repulsiva.

Lilith foi escolhida para despertar e preparar outros seres humanos para finalmente retornarem ao planeta natal. A Terra está novamente habitável há pouco, porém em condições bem diferentes do que conheciam. Assim, os humanos precisarão desenvolver suas habilidades de sobrevivência, enquanto Lilith terá que superar as próprias suspeitas para liderá-los nessa nova etapa – além de decidir se vale a pena andar sobre a linha do que nos define como humanos. 

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[RESENHA] A Página em Chamas (A Biblioteca Invisível #3), Genevieve Cogman (Morro Branco)


Título Original: The Burning Page (The Invisible Library #3)
Título em Português: A Página em Chamas (A Biblioteca Invisível #3)
Ano: 2018
Autor/Autora: Genevieve Cogman
Tradutor/Tradutora: Ana Death Duarte
Editora: Morro Branco
Gêneros: Aventura / Fantasia / Ficção científica / Jovem adulto / Literatura Estrangeira
Páginas: 416
Papel:

Sinopse oficial: A espiã bibliotecária Irene tem padrões profissionais a manter. Padrões que definitivamente não incluem fugas precipitadas de um prédio em chamas. Mas, quando a porta de entrada para seu centro de operações se recusa a abrir, é preciso improvisar.

Depois de fugir de uma França Revolucionária montada em um dragão, Irene descobre que não é a única enfrentando sérios problemas: em vários mundos, o mau funcionamento dos portais que levam à Biblioteca criou um verdadeiro caos. 

Encarregados de uma missão que os levará ao Palácio de Inverno de São Petersburgo, Irene e Kai devem recuperar um livro que os ajudará a restaurar a ordem. Porém seu plano é posto à prova quando o poderoso Alberich reaparece disposto a destruir tudo o que é mais precioso para Irene, com uma proposta: “junte-se a mim ou morra”.

Mas o maior perigo pode estar espreitando em algum lugar próximo – alguém que Irene jamais pensaria que pudesse traí-la. Com tanta coisa em jogo, ela precisará de todos os recursos à sua disposição para manter-se viva. E, claro, salvar a Biblioteca da aniquilação absoluta.

O que motivou a leitura?
=) Série linda, maravilhosa e perfeita que eu amo muito!!!

[RESENHA] - por Ariane
Ora ora ora Não sei se cheguei a comentar, mas A Biblioteca Invisível, da Genevieve Cogman, é atualmente uma das minhas séries favoritas! Isso porque a Irene é uma das melhores protagonistas que conheci. Ela é uma heroína inteligente, independente e - apesar de ela negar algumas vezes - destemida. A forma como Irene pensa e reage rápido em determinadas situações é incrível!

"Pânico é a antítese da boa organização. Pânico é uma bagunça. Eu sou contra o pânico em termos de princípio".

A narrativa d'A Cidade das Máscaras foi pesada, mas confesso que li mais rápido do que A Página em Chamas porque meu desespero em chegar na solução era gritante. Nesta nova aventura, temos uma Irene sendo perseguida e ameaçada de morte, portais da biblioteca explodindo em chamas, e os resquícios da exposição de seus amigos a um mundo de alto grau de Caos!

Ao longo do livro, a confiança de Irene em seus companheiros é testada a todo instante. Após os eventos do livro anterior, os personagens precisam lidar com as conseqüências do que houve: Vale precisa lidar com sua exposição ao Caos na Alta Veneza e à maneira como isso acentuou seu vício na adrenalina de resolver mistérios e enigmas; já Kai precisa lidar com seu trauma após ser capturado, preso e torturado em um mundo com energia totalmente oposta a sua. E além de seus dois antigos amigos, agora temos a presença de Zayanna; uma féerica que auxiliou Irene no resgate de Kai.

A única certeza que Irene tem é que ela pode confiar em Kai completamente, mas ela não tem certeza quanto aos demais familiares; e devido à exposição de Vale à Veneza caótica e a forma como a infestação pelo caos afetou seu comportamento; assim como as questões políticas que envolvem Bradamant e raça féerica de Zayanna, Irene fica confusa diante das difíceis questões que surgem diante dela e Genevieve Cogman conseguiu desenvolver muito bem o conflito interno da personagem.

"A fé cega é apenas outro termo para escravidão (...) Você diz que está preservando algum tipo de equilíbrio, mas, na verdade, está perpetuando a estagnação."

Uma das coisas que mais me agrada na escrita da Genevieve Cogman é sua escrita direta e fluida. Em A Página em Chamas a autora nos coloca mais alguns passos dentro de seu universo. Um bom exemplo disso é como ela encaixa precisamente as informações da sociedade dos féericos e dos dragões. Em mais de um momento Irene levanta questões sobre o mundo de Kai:

"Ele (Kai) havia explicado, em tom de condescendência bondosa para com as convenções humanas, que o gênero social entre os dragões era ditado pelo que o dragão em questão dissesse que era. E, visto que Li Ming dizia ser do sexo masculino, então era do sexo masculino".

Assim como Zayanna também esclarece mais sobre o mundo dos féericos em suas diversas conversas com Irene, a recém criada aliança com Bradamant e as muitas indas à Biblioteca também nos apresentam as questões políticas e a maneira de pensar dos bibliotecários e como eles são vistos. O que - espero eu - seja mais falado nos próximos livros e que possamos finalmente conhecer mais sobre os pais de Irene!

Genevieve Cogman jogou algumas bombas para Irene e para nós leitores nos capítulos finais do terceiro livro! A história de Alberich é de fazer o coração bater acelerado e crescer a curiosidade até as páginas finais!

E enquanto estou escrevendo já quero reler tudo e pegar o próximo The Lost Plot (ainda sem tradução para o português) em inglês mesmo para sanar meu desespero por mais informações!! Lembrando que Genevieve Cogman já comentou que a série provavelmente terá cinco volumes (pelo menos)! 

Quanto ao trabalho da editora Morro Branco, sou apaixonada por eles. Sempre que eles lançam um livro já coloco na minha lista para comprar. O trabalho de diagramação, design, tradução e revisão são maravilhosos! =( A única ressalva é que se assim como eu, você carrega o livro na bolsa/mochila, a chance dos detalhes e título sumirem da capa e da lombada é grande. Eu costumo encapar com contact esse tipo de livro, mas estava tão ansiosa que preferi ler primeiro e agora parte dos detalhes está apagada (isso já me aconteceu com a primeira tiragem de Harry Potter).

Bem, acho que por hoje é isso =) Desculpem o atraso na postagem da resenha! o/

Personagem favorito do livro: Zayanna
Cena marcante: O capítulo 24 *-*

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[RESENHA] Estilhaça-me #1, Tahereh Mafi (Novo Conceito)


Título Original: Shatter-Me
Título em Português: Estilhaça-me #1
Ano: 2014
Autor/Autora: Tahereh Mafi
Tradutor/Tradutora: Robson Falchetti Peixoto
Editora: Novo Conceito
Gêneros: Aventura / Distopia / Ficção científica / Jovem adulto / Literatura Estrangeira / Romance / Fantasia
Páginas: 304
Papel:

Sinopse oficial: Juliette nunca se sentiu como uma pessoa normal. Nunca foi como as outras meninas de sua idade. O motivo: ela não podia tocar ninguém. Seu toque era capaz de ferir e até matar.
Durante anos, Juliette feriu e, segundo seus pais, arruinou o que estava à sua volta com um simples toque, o que a levou a ser presa numa cela.
Todo dia era escuro e igual para Juliette até a chegada de um companheiro de cela, Adam. Dentro do cubículo escuro, Juliette não tinha notícias do mundo lá fora. Adam ia atualizando-a de tudo.
Juliette não entendeu bem o que estava acontecendo quando foi retirada daquela cela e supostamente libertada, ao lado de Adam, e se vê em uma encruzilhada, com a possibilidade de retomar sua vida, mas por caminhos tortuosos e totalmente desconhecidos

O que motivou a leitura?
=) Recomendações e mais recomendações~

[RESENHA] - por Ariane
Estilhaça-me não é um livro que me conquistou, apesar de eu ter amado o plot e o Adam, mas passa longe de ser uma narrativa ruim ou desestimulante. Pelo contrário: as cenas são bem escritas e o livro está recheado de cenas de ação.

Confinada por causa de sua maldição seu dom, Juliette não tem contato com nada nem ninguém há 264 dias. O mundo foi devastado pelos humanos e não há comida suficiente, animais ou plantas; o ar é poluído e as pessoas vivem na miséria sob o governo do Restabelecimento, que prometeu consertar as coisas, mas, ao invés disso, tomou o poder e passou a explorar o povo.

A narrativa começa com Juliette mergulhada em uma confusão mental não originada apenas por seu confinamento, mas também por seu passado: abandonada pelos pais, sem amigos e sem poder ter contato físico com ninguém, a confusão da protagonista nesse início acaba desorientando o leitor e é só quando Juliette começa a interagir novamente com o mundo é que sua linha de pensamento menos caótica.

E é claro que essa interação acontece através de um garoto! Adam Kent: alto, forte, bonito, lunático e... estranhamente familiar. Pessoas normais não vão parar no manicômio e Juliette fica se perguntando o que Adam teria feito de tão grave para estar preso com ela. Quando a verdadeira identidade de Adam é revelada, conhecemos também Warner, o jovem comandante do Restabelecimento no distrito em que Juliette se encontra e que cobiça seus dons e tem planos de usá-la como arma para conquistar seus objetivos e torturar seus inimigos. 

"Não quero ser algo para ninguém senão para mim. Quero fazer minhas próprias escolhas e nunca quis ser um monstro."

Tahereh Mafi consegue criar uma personagem extremamente fascinante e capaz de conduzir o leitor até ela, até seus pensamentos e emoções. A forma de escrita em primeira, com a repetição de palavras sem qualquer pontuação e as palavras e orações riscadas, cria uma conexão com a intensidade dos sentimentos de Juliette e com seus desejos mais íntimos, que ela é incapaz de expressar.

Esse estado de confusão de Juliette me deixou bastante desnorteada, talvez por isso eu não tenha aproveitado tão bem o início da narrativa. Só conforme fui conhecendo a personagem foi que consegui me colocar ao lado dela e entender seu sofrimento. Além disso, o relacionamento dela com o Adam pareceu se desenvolver muito rápido, apesar de ser compreensível por causa da solidão da personagem....

Enfim, apesar de não ter me conquistado, estou curiosa para ler a continuação! =) É um livro que eu recomendaria para quem gosta do gênero~

Personagem favorito do livro: Juliette
Cena marcante: O momento em que Juliette descreve seus relacionamentos com personagens de livros.

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[RESENHA] Kindred: Laços de Sangue, Octavia E. Butler

Kindred, Octavia E. Butler e The Tear Drop em The War Memorial of Korea

Título Original: Kindred
Título em Português: Kindred: Laços de Sangue
Ano: 2017
Autor/Autora: Octavia E. Butler
Tradutor/Tradutora: Carolina Caires Coelho
Editora: Morro Branco
Gêneros: Ficção científica / Literatura Estrangeira
Páginas: 432
Papel: 

Sinopse oficial: Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça.
Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida... até acontecer de novo. E de novo.
Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.

O que motivou a leitura?
Particularmente gosto muito da Morro Branco desde que comprei A Biblioteca Invisível e venho acompanhando os lançamentos da editora desde então. Vi vários comentários entre os booktubers sobre Kindred e especialmente sobre como a autora, Octavia E. Butler, desenvolveu o tema. Fiquei curiosa e esperei uma oportunidade pra comprar o livro com descontinho =)

[RESENHA] - por Ariane

"A facilidade. Nós, as crianças... Não sabia que as pessoas podiam ser condicionadas com tanta facilidade a aceitarem a escravidão."

Como começar a falar de Kindred: Laços de Sangue? Iniciei a leitura no aeroporto enquanto aguardava o vôo e não entendia o porquê de tanto alvoroço em cima desse livro. A história parecia meio bleh e eu não conseguia me inserir ou acompanhar Dana (a protagonista) já que Kindred é um livro fora da minha zona de conforto.

Kindred narra a história de Dana, uma mulher negra que vive em 1976 e que acaba de se mudar para um novo apartamento com Kevin, com quem se casou. Kevin é um homem branco, mas com a mente mais aberta que os demais e a ligação da protagonista ao seu século quando coisas misteriosas começam a acontecer.

É 9 de Junho de 1976 quando Rufus, antepassado de Dana consegue 'chamá-la' a 1815 ao correr perigo de vida. E é assim que a aventura de Dana começa: cada vez que Rufus se mete em uma enrascada capaz de colocar sua vida em perigo, ela é 'invocada' para socorrê-lo. E, apesar de muito tempo se passar quando ela está em 1815, apenas alguns instantes se passam em 1976!

O plot da narrativa não parece lá tão diferente de qualquer outro de ficção científica. O que marca o livro e o difere de tudo que já li é a maneira com que Octavia E. Butler trata as questões raciais, de gênero e a mente humana ao lançar Dana a um século de escravidão e nos fazer olhar pelas perspectivas da protagonista a distinção entre negros e brancos, homens e mulheres.

Quando comprei o livro na Festa do Livro da USP Leste em Maio, uma das moças que trabalhava no estande da Morro Branco disse que ao começar a ler, ela não tinha conseguido parar até terminar. Quando comecei a leitura, não entendi porquê. Então terminei o livro dentro do avião, virando uma página após a outra como se elas fossem uma estrada contínua e eu estivesse andando por elas enquanto assistia à narrativa.

Dana tem 26 anos e é uma mulher esclarecida e trabalhadora que não aceita ser menos só por ser mulher, só por ser negra, mas que se vê presa em uma fazendo escravocata ao lado de Rufus, personagem central de que depende seu futuro e sua existência, mas que é um homem branco e filho do dono da fazenda.

A maneira como Octavia E. Butler trabalha e desenvolve a relação de Dana e Rufe é ao mesmo tempo deliciosa e perturbadora. Em sua condição de mulher negra, enquanto está no passado, Dana pertence à Rufus e está sujeita ao seus caprichos e as torturas da escravidão. Mais do que apenas suportar o que é imposto a ela, Dana precisa assistir ao sofrimento dos demais e permitir que a história siga com o menor número de interferências possíveis, já que sua própria existência depende disso.

Kindred me deixou dividida em vários aspectos e, assim como Dana, cultivei um carinho muito grande por Rufus. Octavia E. Butler cria uma narrativa que passa longe de vinganças e esteriótipos, os personagens passam a ser pessoas reais, com problemas reais e completamente imersos em sua própria realidade. Isso me fez pensar em quantas coisas passamos a aceitar sem perceber porque fazem parte do nosso dia-a-dia.

"O pai dele não era o monstro que poderia ser com o poder que tinha sobre os escravos. Não era um monstro, de forma alguma. Só um homem comum que às vezes fazia coisas monstruosas que sua sociedade dizia serem legais e adequadas."

Eu não saberia por onde começar a tecer elogios sobre a obra de Octavia E. Butler. Incrível soa extremamente positivo para questões tão tristes e incômodas, tão desesperadoras. A forma de escrita da autora é envolvente e limpa, sem rodeios e descrições cansativas, apenas o essencial para que o leitor possa criar seu mundo. E Carolina Caires Coelho fez um trabalho excelente em manter essa narrativa clean da autora na tradução! Sem contar o capricho da editora Morro Branco tanto na edição Luxo em capa dura quanto na edição regular!

Personagem favorito do livro: Dana!
Cena marcante: As crianças negras brincando de vender escravos.

"Eu estava me acostumando a ser submissa?"

Dica da Ari: Já está em pré-venda 'A Parábola do Semeador', novo livro da Octavia E. Butler e também publicado pela Morro Branco! (AMAZON | SARAIVA) :)

Onde comprar?
- AMAZON
- FNAC (edição luxo | edição regular)
- Livraria Cultura (edição luxo | edição regular)
- Livraria Martins Fontes
- Livraria Saraiva (edição luxo | edição regular)

[RESENHA] O Circo Mecânico Tresaulti, Genevieve Valentine


Título Original: Mechanique: A Tale of the Circus Tresaulti
Título em Português: O Circo Mecânico Tresaulti
Ano: 2016
Autor/Autora: Genevieve Valentine
Tradutor/Tradutora: Dalton Caldas
Editora: DarkSide
Gêneros: Fantasia / Ficção / Ficção científica / Literatura Estrangeira
Páginas: 320
Papel: Não informado

Sinopse oficial: Respeitável público, o Circo voltou!
Num mundo pós-apocalíptico, onde as pessoas não tem mais acesso à tecnologias de ponta, uma caravana circense leva esperança por onde passa. Os artistas são sobreviventes de guerra, que tiveram seus corpos mutilados reconstruídos com complexas estruturas mecânicas.


O que motivou a leitura?
Não vou negar que a capa gritou meu nome (e eu ouvi) enquanto passeava pela livraria, mas foi a sinopse me que ganhou desta vez. Particularmente tenho uma tendência à romances adolescentes e jovem adulto, só que estava naquele momento da vida em que precisava mesmo ler algo fora da minha zona de conforto e, zaz, eis que o circo apareceu diante de mim~

[RESENHA] - por Ariane

"Lembro-me bem da primeira vez que vi dois acrobatas ignorarem a multidão de pessoas e se olharem no exato momento que precede o salto, compartilhando algo que eu sabia ser vital - algo cuja verdadeira substância eu nunca consegui compreender, por não ser um acrobata com as mãos vazias esperando o momento do salto."

Como diz a resenha, as pessoas estão em um mundo pós-apocalíptico devastado pela guerra constante. Com a tecnologia e as cidades destruídas, todos sofrem com fome, falta de trabalho e saúde precária. "A guerra fez o mundo parar." E eis então que surge o circo com homens e mulheres mecânicas: acrobatas, dançarinas exóticas, homens que superam a força humana! Como não se deslumbrar com tal espetáculo?

A trupe, comandada por Boss, é formada por ex-soldados, refugiados, assassinos, pessoas que querem deixar sua vida para trás. A medida que o circo segue novas pessoas se unem a eles enquanto outras os deixam, mas há um porém, a trupe é dividida em dois grupos distintos: os que possuem os ossos e os que não possuem.

Boss é como a mãe de toda a equipe, ela tem a curiosa habilidade de integrar partes mecânicas às pessoas que precisam: uma perna, um braço, a coluna, o pulmão, olhos... Assim, aqueles que aceitam suas condições e termos ganham os ossos de metal, um novo nome e uma nova vida. Essa transformação não muda apenas sua aparência, os que possuem os ossos possuem uma resistência física sem igual e tem habilidades peculiares de acordo como são construídos por Boss.

"Quando um jovem garoto em especial vai ao circo e se esquece de aplaudir os acrobatas ou o homem forte por estar se perguntando se eles poderiam lhe ser úteis, ele é um homem do governo." 

Essa resistência e habilidades que os tornam tão distintos são também o que chamam a atenção do homem do governo que já pôde assistir à apresentação uma vez e agora não medirá esforços para desvendar os segredos de Boss e de sua trupe!

O que dizer de O Circo Mecânico Tresaulti? Ou você vai amar ou vai odiar. A narrativa é ótima e diferente, não é difícil você começar a leitura com as expectativas a mil e aí vem a pedra no no caminho: se começar a ler com ideias pré-estabelecidas, você terá uma surpresa (boa ou ruim)! A narrativa não acontece de forma linear e além da alteração entre personagem-narrador ao longo de cada capítulo (e inclusive dentro deles), Genevieve não os identifica de cara, então é preciso ficar atento às mudanças sem aviso prévio tanto de quem está narrando quanto para quem o narrador está olhando naquele momento.

Duas engrenagens chamam mais a atenção durante a narrativa: a disputa entre Bird e Stenos, pelas asas que pertenceram ao antigo membro da trupe, Alec; e a fuga do homem do governo que cobiça as habilidades de Boss e os membros que têm os ossos, estando suas cruéis ações escondidas pelo discurso de um bem maior.

"Ele assiste sem ver, faz planos. O circo acontece em torno dele, sem ele. Se você perguntasse como eram os rostos deles, ele não saberia". 

Particularmente senti dificuldade no início da leitura (que se arrastou pelas primeiras cem páginas), mas Boss me encantou a todo momento e a necessidade de descobrir mais sobre ela e sobre suas habilidades me motivaram a continuar. Não me arrependi, após a metade do livro tudo estava no lugar e eu já estava acostumada com a forma de narrar, com os nomes e características dos personagens. Como os capítulos são curtos (bem curtos mesmo) fiquei naquele impasse de 'só mais um' e quando vi, tinha terminado!

O capítulo que me marcou mais durante a leitura foi o capítulo 38, que conta a história de Boss e Panadrome antes de serem Boss e Panadrome:

"Panadrome foi um acidente."

Já frase que vai ficar marcada pra sempre é:

"Mas é assim que as lembranças são - sempre verdadeiras, nunca a verdade."

E não podemos esquecer de gritar Vivas! para a turma da DarkSide por essa Edição Limitada fantástica, com capa dura e cheia de texturas diferentes, com ilustrações maravilhosas de Wesley Rodrigues, diagramação impecável e as maravilhosas folhas amareladas! <3

Sem dúvidas um livro inovador. Se o leitor tiver paciência e curiosidade por novas experiências, é um prato cheio! 

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