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[RESENHA] 1 + 1 . A Matemática do Amor, Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos (Faro Editoral)


Título Original: 1 + 1 . A Matemática do Amor
Ano: 2016
Autor/Autora: Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos
Editora: Faro Editorial
Gêneros: Jovem adulto / Literatura Brasileira
Páginas: 256
Papel: Não informado

O que motivou a leitura?
Ganhei de presente de aniversário! \o/

[RESENHA] - por Ariane
Como vi na resenha do Luri, no Goodreads: "Eu leio romance porque eu gosto da ingenuidade do romance. Se eu quisesse reflexões profundas, ia ler filosofia. Se quisesse ação, mistério e aventura, ia atrás de thrillers e distopias. Eu gosto do "fofinho", da angústia, do "e se" que o romance tem.", essa é a melhor forma de começar a resenha de 1 + 1 . A Matemática do Amor!

Em 1 + 1 A Matemática do Amor conhecemos Bernardo e Lucas, vizinhos e amigos de infância que, durante as férias, recebem a inesperada notícia de que o pai de Bernardo recebeu uma proposta de emprego e toda a família irá se mudar para Portugal.

É então que os amigos de infância começam a pensar em suas vidas um sem o outro. Lucas decide que quer fazer daquelas as melhores férias de todos os tempos enquanto que Bernardo se revolta com a situação, se sente impotente e frustrado por seus pais não terem pedido sua opinião, mesmo sabendo que seria uma mudança drástica para ele também.

Narrado em primeira pessoa, com os capítulos alternando entre Bernardo e Lucas, o leitor tem acesso aos sentimentos mais obscuros e as dúvidas e certezas de cada um. Ambos os personagens têm personalidades únicas: enquanto Lucas - que adora poesia e a língua portuguesa - tem uma facilidade maior para esclarecer seus sentimentos; Bernardo, sempre mais racional, tem dificuldade para aceitar o novo. 

Vou ficar longe da minha cidade, dos seus pais, da escola, de tudo que eu conheci. De você. Lembra como você dizia que às vezes 1+1 pode ser 1? Eu te entendo agora. Mas somos menos que um. Somos uma equação de divisões e saldos negativos.

1 + 1 . A Matemática do Amor é cheio de clichê adolescente que todos nós amamos! Tem aquele draminha, sentimento, surpresas e dúvidas. Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos procuraram trabalhar com as questões de intolerâncias, as discriminações que pessoas homossexuais ainda sofrem e as dificuldades de autoaceitação. A maneira como os autores carregaram a narrativa foi prazerosa e rápida, sem enrolação. 

Apesar do clichê e do total esteriótipo de opostos que se atraem, temos um amor não planejado que nasceu naturalmente, uma amizade que vira algo mais, a aceitação dos próprios sentimentos e o medo do julgamento alheio (quem nunca?).

Em 1 + 1 . A Matemática do Amor não temos nada de novo, o que não torna o livro ruim. Romances água com açúcar são sempre uma ótima pedida!

Dica da Ari: Não deixe romances fofinhos para trás! A vida precisa dessas colherinhas cheias de açúcar!


Personagem favorito do livro: Não tive nenhum favorito nessa leitura =)
Cena marcante: Não tive nenhuma cena marcante nessa leitura =)




Sinopse oficial:
Lucas e Bernardo são dois garotos, melhores amigos um do outro de toda a vida. De repente, recebem a notícia de que Bernardo irá se mudar com a família para outro país. Nesse momento, cada um a seu modo, percebe como valiosa era aquela amizade, algo que não queriam perder. Bernardo reage mal e se revolta. Lucas tenta transformar cada dia que resta com o amigo na melhor experiência de suas vidas. Ele escreve uma lista de coisas para fazer e pretende cumprir uma por uma, em todos os detalhes. Mas, a cada dia, o fantasma da separação os assombra com um cronômetro lembrando que o tempo se esgota e, ainda assim, os dois passam por grandes momentos juntos. Então os meninos percebem que há algo mais entre eles... um sentimento profundo, que não conseguem explicar e tornam todas aquelas experiências ainda mais intensas. Mas o que fazer com tudo isso quando se tem apenas 16 anos?

* Compre usando nosso link e ajude o blog a continuar existindo =)
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[RESENHA] Legado, Hugh Howey (Intrínseca)


Título Original: Dust (Silo #3)
Título em Português: Legado
Ano: 2016
Autor/Autora: Hugh Howey
Tradutor/Tradutora: Edmundo Barreiros
Editora: Intrínseca
Gêneros: Ficção / Distopia / Literatura Estrangeira / Romance
Páginas: 368
Papel: 
Sinopse oficial: SILO apresentou o abrigo e seus habitantes. ORDEM contou a história de sua formação. LEGADO relata sua ruína. 

A batalha pelo Silo já foi vencida. A guerra pela humanidade só está começando. É um tempo em que, para sobreviver, os humanos precisam se manter em cidades subterrâneas, aprisionados, sem ligação com o mundo lá fora. Esse é o universo de Silo, a série de ficção científica e fantasia escrita por Hugh Howey. 
Juliette, uma operária nascida nos subterrâneos, é a heroína da trama apocalíptica. Em Legado, ela se torna prefeita do Silo 18, que está se recuperando de uma rebelião. Seu governo encontra grande resistência por causa da controversa escavação para resgatar os supostos sobreviventes do Silo 17, uma empreitada vista com desconfiança que está espalhando o medo entre os moradores do Silo 18.
Como se isso não fosse um desafio grande o bastante, Juliette também recebe transmissões de Donald, a voz que alega ser líder do Silo 1 e está disposta a ajudar — mas também é capaz de fazer ameaças horríveis. Talvez Donald não seja o monstro que Juliette vê. Quem sabe ele não é a peça-chave para a salvação de toda a espécie humana? Mas será que ainda há tempo? 
No último volume da série Silo, as escolhas de Donald e Juliette podem mudar o mundo… ou extingui-lo de vez

O que motivou a leitura?
Silo -> Ordem -> Legado! =) Os dois primeiros livros garantiram a leitura do terceiro e último.

[RESENHA] - por Ariane
Em Legado, Hugh Howey alterna os capítulos entre o Silo 18, 17 e o Silo 1, os personagens e suas histórias começam a se conectar. Após dezenas de anos vivendo em um ambiente lacrado e com limitações quase extremas, a população do Silo 18 enfrenta agora as ideias da obstinada prefeita Juliette; que retornou e agora precisa cumprir a promessa que fez aos amigos do Silo 17. Acontece que para isso, Juliette precisa enfrentar as pessoas de seu próprio silo.

É. Nossas ações, sabe? Elas duram para sempre. Não importa o que for que a gente decida fazer, vai continuar para sempre sendo o que fizemos. Não tem como desfazer uma ação.

Juliette agora é considerada uma ameaça pelos habitantes de seu próprio silo e até mesmo Lukas está tendo dificuldades de protegê-la. Enquanto isso ele conversa com Donald, do Silo 1, e descobre cada vez mais sobre a construção dos silo e do mundo de antes. E Donald também se vê ameaçado quando sua liderança começa a ser questionada após surgirem evidências de assassinato na sala de congelamento profundo.

Dentre os três, o que acabei me empolgando mais para ler foi Ordem e acabei enrolando mais de dois anos para ler a conclusão da trilogia. De uma forma geral, Legado me agradou bastante. Algumas das atitudes de Juliette me irritaram bastante, mas isso também a torna muito humana. Donald ganhou muito do meu respeito, assim como Anna.

Com o destino de milhares de pessoas estão nas mãos de Juliette e Donald e eles precisam tomar decisões difíceis para salvar o maior número delas, já que salvar a todos parece impossível. A curiosidade para saber quais atitudes cada personagem tomaria diante de uma escolha difícil mantém o leitor focado até o fim.

E estou começando a achar que as pessoas que mandamos para a limpezas eram as pessoas boas. Muita gente boa só ficou quieta, com medo de agir. (...) Mas o que eles poderiam fazer, mesmo sendo prefeitos? No fundo, não eram eles que mandavam. Quem estava no comando mantinha nossas ambições sob controle.

Legado conta com várias críticas e convites à reflexão que estão bem longe da ficção. Como disse a  resenha de Recantodami "Hugh reitera o seu alerta a respeito do sistema de governo atual, a luta pela verdade, e a busca pela esperança de se viver em um mundo melhor, quebrando amarras, paradigmas e se rebelando. Além disso ele enfatiza muito a necessidade da mulher ir atrás da sua voz e do seu lugar na sociedade, tantas vezes sufocada pelo sistema patriarcal".  

Apesar de ter enrolado para ler Legado, acabei engatando bem rápido após começar a leitura. O enredo não me surpreendeu e o final não me decepcionou, mas fiquei com a sensação de "Oi" para várias questões levantadas pelo autor e não resolvidas. O único problema foi que Hugh Howey Hugh Howey criou uma trilogia incrível, mas deixou várias questões em aberto e mal resolvidas. O epílogo não acrescentou muito e ele pareceu sofrer para finalizá-la. O desfecho ficou bastante corrido, o que destoa bastante do restante de todo o resto da narrativa.

Para quem curte distopia, a trilogia Silo vale a pena a leitura! E a recomendação é que o leitor não deixe a leitura de um livro para o outro muito espaçada, porque é possível que você perca o fio da meada e os detalhes passem batido! =)


Personagem favorito do livro: Donald.
Cena marcante: Nenhuma.

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[RESENHA] Meio Rei (Mar Despedaçado #1), Joe Abercrombie (Arqueiro)


Título Original: Half a King (Shattered Sea #1)
Título em Português: Meio Rei (Mar Despedaçado #1)
Ano: 2016
Autor/Autora: Joe Abercrombie 
Tradutor/Tradutora: Alves Calado
Editora: Arqueiro
Gêneros: Fantasia / Ficção
Páginas: 288
Papel: 
Sinopse oficial: Ganhador do prêmio Locus, Meio rei foi considerado, em 2014, uma das 5 melhores obras de fantasia pelo The Washington Post e um dos 10 melhores livros para jovens pela Time.

Jurei vingar a morte do meu pai. Posso até ser meio homem, mas sou capaz de fazer um juramento por inteiro.

Filho caçula do rei Uthrik, Yarvi nasceu com a mão deformada e sempre foi considerado fraco pela família. Num mundo em que as leis são ditadas por pessoas de braço forte e coração frio, ser incapaz de brandir uma espada ou portar um escudo é o pior defeito de um homem.

Mas o que falta a Yarvi em força física lhe sobra em inteligência. Por isso ele estuda para ser ministro e, pelo resto da vida, curar e aconselhar. Ou pelo menos era o que ele pensava.

Certa noite, o jovem recebe a notícia de que o pai e o irmão mais velho foram assassinados e não lhe resta escolha a não ser assumir o trono. De uma hora para outra, ele precisa endurecer para vingar as duas mortes. E logo sua jornada o lança numa saga de crueldade e amargura, traição e cinismo, em que as decisões de Yarvi determinarão o destino do reino e de todo o povo.

Joe Abercrombie nos apresenta um protagonista surpreendente, numa história de percalços e amadurecimento que abre a trilogia Mar Despedaçado

O que motivou a leitura?
Encontrei esse livro enquanto fuçava pelo Skoob (não façam isso, crianças!) e deixei marcado para comprá-lo em alguma promoção da vida. Me interessei bastante pela sinopse (a capa original é bem mais bonita!)~  Acabei comprando na Black Friday!

[RESENHA] - por Ariane
Após um livro de 600 páginas (Nevernight - RESENHA), nada melhor que um bom e ótimo livro de 280, certo? Certo! E continuando no mundo da fantasia!!

Eu não tinha lido nada de antes, mas pesquisando um pouco para saber o que outras pessoas acharam de Meio Rei, descobri outros títulos interessantes de Joe Abercrombie e também um pouco mais sobre sua forma de escrita. Não foi surpresa para mim que Meio Rei esteja enquadrado na categoria de Jovem Adulto (YA), é bem fácil se identificar com Yarvi em diversos momentos ao longo da narrativa.

Nosso protagonista é o filho mais novo do Rei de Gettland, Uthrik, e como diz a sinopse, ele possui uma deficiencia física em uma das mãos, o que o torna um homem incompleto, uma vez que ele jamais será capaz de portar uma espada e um escudo e assim não poderá guerrear.

Deste modo, Yarvi se torna uma criança amargurada por causa de sua condição. Desejando fugir de sua família e de sua posição na corte, ele decide se tornar Ministro - uma espécie de conselheiro do Rei - e para isso ele precisa estudar e saber sobre tudo, desde história até ervas e venenos.

O Sábio espera por seu momento, mas nunca o deixa passar.

Quando seu pai e seu irmão são assassinados em uma emboscada, Yarvi precisa assumir o trono e o legado de sua família. Contudo, parece que nenhum de seus aliados ou mesmo seus subordinados e seu reino confiam nele para governar. Diante da sede de vingança, sua mãe, a Rainha Dourada, Laithlin, e seu tio, declaram Yarvi rei e fazem-no jurar vingança aos assassinos. E para cumprir sua promessa, ele viaja para cumpri-la.

O aço é sempre a resposta… O aço não elogia nem faz acordos. O aço não mente.

Joe Abercrombie nos apresenta uma história ágil; ele não perde tempo e só detalha o que é extremamente necessário para que o leitor possa se situar. Com o início da narrativa bem acelerado, logo o leitor cai de cara na primeira grande reviravolta do livro (sério, eu fiquei O QUÊÊÊ??) e a partir deste ponto acompanhamos o protagonista em sua nova jornada. 

Yarvi é um herói que sofre bastante, mas durante todo o trajeto o leitor acompanha seu amadurecimento como pessoa e como Rei. Um garoto que no início vivia se escondendo, se rebaixando e pedindo desculpas por coisas que iam além de seu controle, agora usa sua inteligência e todas as armas e pessoas a sua disposição para atingir seu objetivo.

Um bom rei sacrifica tudo para vencer e esfaqueia quem for preciso, como puder. O grande guerreiro é o que ainda respira quando os corvos se refestelam. Um grande rei é o que observa as carcaças dos inimigos queimarem.

Além disso, Yarvi precisa aprender a lidar com as conseqüências de cada uma de suas terríveis escolhas no caminho que escolheu trilhar e continuar tomando-as sem fraquejar. Com os ensinamentos de mãe Gundring - sua mentora na arte do Ministério - e da Rainha sempre na hora certa, ele se torna alguém que faz o que tem que fazer.

Acompanhar seu amadurecimento em 280 é um processo interessante e ao mesmo tempo limitado. Joe Abercrombie foca praticamente toda a narrativa no garoto, então não temos acesso aos demais personagens (e alguns deles parecem ter histórias tão interessantes quanto). Com seu início engenhoso, o autor transforma uma premissa batida - do herdeiro que jura vingança pelos familiares assassinados - em um desfecho imprevisível.

O sábio espera por seu momento, mas nunca o deixa passar.


Meio Rei é um livro rápido e fluído. Se você estiver esperando uma fantasia cheia de detalhes e descrições, esqueça. Caso contrário, não perca tempo! É uma ótima pedida para uma leitura de um dia (ou para colocar na TBR de alguma maratona!)! Não achei o livro incrível e absoluto, mas bem agradável. E estou bem curiosa para ler a continuação =)

Personagem favorito do livro: Sumael.
Cena marcante: Quando Yarvi rema pela primeira vez.

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[RESENHA] Nossos Dias Infinitos, Clare Fuller (Morro Branco)


Título Original: Our Endless Numbered Days
Título em Português: Nossos Dias Infinitos
Ano: 2016
Autor/Autora: Clare Fuller 
Tradutor/Tradutora: Carolina Selvatici 
Editora: Morro Branco
Gêneros: Drama / Ficção / Literatura Estrangeira / Suspense e Mistério / Thriller
Páginas: 336
Papel: Pólen soft 70g/m²
Sinopse oficial: Vencedor do prestigioso Desmond Elliot Prize 2015
Todos os pais mentem. Mas algumas mentiras são maiores do que as outras.
"Datas só nos fazem perceber quão finitos nossos dias são, quão mais perto da morte ficamos a cada dia que passa. De agora em diante, Punzel, vamos viver seguindo o sol e as estações”. Ele me pegou no colo e me girou, rindo. “Nossos dias serão infinitos”. Com aquela última marca, o tempo parou para nós em 20 de agosto de 1976". Peggy tinha oito anos quando seu pai a levou para viver em uma remota cabana no meio de uma floresta europeia. Lá ele lhe disse que sua mãe e todas as outras pessoas do mundo morreram. Agora eles precisam viver da terra e sobreviver ao rigoroso inverno. Mas até quando a pequena Peggy vai acreditar na história de seu pai? Até quando você pode ficar são, quando o mundo está perdido? O que acontece quando você para de crer em tudo?

O que motivou a leitura?
Eu particularmente curto os livros publicados pela Morro Branco, tenho quase todos. No caso de Nossos Dias Infinitos, além da editora, a sinopse e a capa ajudaram bastante na escolha (apesar de eu ter sido enganada completamente pela capa) =)

[RESENHA] - por Ariane
Pensei bastante se deveria resenhar este livro, pois para mim o final foi meio (muito MESMO) traumatizante. Levei dois dias para me recuperar do choque e dez dias para conseguir pegar outro livro. Porém, contudo, todavia, livros bons merecem ser divulgados, então, lá vai!

Nossos Dias Infinitos é narrado em primeira pessoa pela adorável protagonista Peggy ou Punzel - diminutivo de Rapunzel -, como gosta de ser chamada.  Peggy é filha de uma famosa pianista, Ute, e de um rapaz comum, chamado James, que faz parte de um grupo de sobrevivencialista (ou preparadores); isso é, um grupo que "está ativamente preparando-se para emergências, até em caso de possíveis rupturas na ordem política e social local, regional, nacional ou internacional", o que inclui "catástrofes naturais, catástrofes provocadas pela humanidade, ruptura na ordem social e política, colapso geral da sociedade, colapso da economia e emergências sanitárias" (obrigada, Wikipedia!!).

Por causa disso, o pai de Peggy está sempre se preparando para o fim do mundo e estocando alimentos, roupas e utensílios no porão que ele mesmo preparou para caso precise proteger a família. Como não podia ser diferente, James até mesmo começa a treinar Peggy para o fatídico momento. E é após ter uma discussão com Ute que ele decide que ambos devem fazer uma viagem. Só que é uma viagem só de ida! E fazendo a filha acreditar que aquela é uma viagem de férias, eles acabam andando por dias, até adentrarem uma densa floresta e a garota começa a se dar conta de que as coisas estão bastante estranhas.

Não pude dizer nada. Naquele momento, com apenas um sapato e o cabelo molhado, percebi, mais do que quando meu pai havia esmagado a cabeça do peixe, ou me dito que Ute morrera, que algo havia dado errado em nossas férias. Observei a cabana com a boca escancarada.

Quando eles chegam a uma cabana- que ela chama de die Hütte - decrépita no meio de uma densa floresta e cercada por colinas e montanhas em algum lugar no interior da Alemanha, sem qualquer sinal do paraíso que o pai prometera, Peggy insiste em voltar para casa e para a mãe. Então, em um ato de desespero, James diz para a filha que o mundo além das colinas acabou e que apenas os dois estão vivos e que ela jamais deveria cruzar ou mesmo se aproximar d'A Grande Divisa

E durante muitos anos vivem apenas os dois.

À medida que eu crescia e os anos se misturavam uns aos outros, um ritmo se estabeleceu em nossas vidas. Deixamos as estações e o clima ditar quando as roupas deveriam ser feitas ou remendadas, quando sementes deveriam ser plantadas, quando as bolotas deviam ser colhidas e quando comemorar aniversários e Natais.

Nove anos se passam até que Peggy, agora Punzel, reencontre a mãe e a melhor amiga e tenha novamente contato com outras pessoas.  

Cobri os ouvidos, morrendo de medo do animal em que meu pai havia se transformado nos poucos minutos em que eu tinha ficado cavando.

O que posso dizer...? Precisei fazer anotações para a resenha dessa vez, com receio de dar algum spoiler fenomenal sem querer. Até o capítulo 17 sofri feito uma condenada pra ler. Mais de uma vez, pensei em largar o livro, principalmente porque o ritmo era extremamente lento. Os capítulos intercalados entre passado e presente não ajudaram nesse aspecto, muito pelo contrário, deixaram meu cérebro bem confuso com a sequência e a  linearidade dos acontecimentos.

Quando entrei no capítulo 17, a coisa fluiu (mas foram 195 páginas me arrastando...)! E fluiu tão bem que terminei de ler em poucas horas. E foi então que percebi o quanto tinha acreditado inteiramente na história de Peggy, sem questionar, e que a visão dela, em mais da metade do livro, é a visão de uma criança. Suas memórias tem lacunas e muitas coisas ela descreve como entendeu e não necessariamente como foram.

Como disse lá no início, o final me chocou. Me chocou muito. Como acreditei 100% nas palavras e na versão de Peggy, acho que foi tudo mais chocante ainda... em nenhum momento duvidei ou questionei o que ela dizia e só no fim percebi o quanto fui enganada e as engrenagens cerebrais começaram a funcionar e juntar vários momentos da trama.

Levei dois dias para me recuperar...

Clare Fuller fez um trabalho impecável com Nossos Dias Infinitos e a equipe da Morro Branco caprichou em todos os aspectos da edição do livro. A capa tem absolutamente TUDO a ver com a história, mas ao mesmo tempo não deixa brecha para o leitor fazer suposições, o designer é preciso.


Personagem favorito do livro: Peggy
Cena marcante: A cena em que Peggy está em seu esconderijo com Reuben

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[RESENHA] Talvez um Dia, Colleen Hoover (Galera Record)


Título Original: Maybe someday #1
Título em Português: Talvez um Dia
Ano: 2016
Autor/Autora: Colleen Hoover
Tradutor/Tradutora: Natalia Gerhardt
Editora: Galera Record
Gêneros: Jovem adulto / Literatura Estrangeira / Romance
Páginas: 368
Papel: 
Sinopse oficial: Sydney acabou de completar 22 anos e já fez algo inédito em sua vida: socou a cara da ex- melhor amiga. Até hoje, ela não podia reclamar da vida. Um namorado atencioso, uma melhor amiga com quem dividia o apartamento... Tudo bem, até Sydney descobrir que as duas pessoas em quem mais confiava se pegavam quando ela não estava por perto. Até que foi um soco merecido. Sydney encontra abrigo na casa de Ridge. Um músico cujo talento ela vinha admirando há um tempo. Juntos, os dois descobrem um entrosamento fora do comum para compor e uma atração que só cresce com o tempo. O problema é que Ridge tem uma namorada, e a última coisa que Sydney precisa agora é se transformar numa traidora.

O que motivou a leitura?
=) Livros da Coleen Hoover gritam por mim!

[RESENHA] - por Ariane
Sério! Como não se apaixonar pelos personagens e histórias da Colleen Hoover? Acredito que Talvez Um Dia se tornou (até o momento) meu livro favorito dela, seguido por Sem Esperança (RESENHA) Não está escrito o quanto sou apaixonada pelas histórias dela.


Era uma vez um rapaz chamado Ridge Lawson, que toca violão e compõe música,s que fazem muito sucesso, para uma banda famosa. E todos os dias ele vai até a varanda de seu apartamento para tocar violão e observar as reações de sua vizinha às suas músicas. Diante do desespero por causa de um bloqueio musical, Ridge resolve falar (que não é bem falar, mas mandar uma mensagem de uma forma... inusitada) com a tal vizinha e acaba descobrindo que ela escreve letras para cada uma de suas músicas.

Assim nasce a ponte entre nossa adorável protagonista e seu vizinho. 

Sydney Blake parece ter a vida perfeita: mora com a melhor amiga, tem um namorado carinhoso e com quem espera passar o resto de sua vida, faz faculdade e trabalha numa cafeteria local. Tudo ótimo! Pelo menos até o dia em que ela descobre que seu namorado, Hunter, e sua melhor amiga e colega de quarto, Tori, estão tendo um caso! Até que foi um soco merecido, pensou ela, mas agora que tinha batido na melhor amiga e terminado com Hunter, ela não tinha para onde ir. Obviamente como todo ser-humano nessas horas, Syd só pega o máximo de coisas que consegue e sai de casa sem ter um plano bem traçado e acaba no pátio do prédio com suas malas, encharcada com a chuva forte que caía e sem ter para onde ir.

Só que Ridge não é o tipo de cara que vê alguém em apuros e não faz nada. Agora eles estão morando no mesmo apartamento, começam a compor músicas juntos.... e começam a se apaixonar um pelo outro.

Colleen Hoover cria um triângulo amoroso entre Sydney, Ridge e Maggie de forma tão maestral que o leitor não consegue escolher um lado. Particularmente amo quando o personagem escolhe seu par e permanece com ele por toda a vida. A dedicação e fidelidade de Ridge para com Maggie é... UAU! Mas ao mesmo tempo em que torci para que desse certo entre eles, também queria que desse certo para ele e Sydney. Acho que nunca fiquei tão dividida antes!

Nunca o vi lutando contra a própria escolha ou com os sacrifícios que fez por Maggie até você aparecer. Ele está apaixonado por você, Sydney, e sei que você tem noção disso. Mas também conheço o coração dele e sei que nunca vai largar a Maggie.

Sempre detestei traições, mas confesso que muitas vezes já parei para pensar se há algum tipo de traição (amorosa, neste caso) que seja justificável. Talvez um Dia me fez balançar... Por muitas vezes tive que tentar me colocar no lugar dos personagens e tentar entender que nem sempre as coisas são como deveriam ser, que nem tudo é preto no branco.

E não apenas com um plot intenso e complexo como esse, que faz o leitor questionar as próprias convicções. Colleen Hoover criou uma narrativa cheia de dor e superação, de reflexões. A deficiência de Ridge e a maneira como ele enxerga a vida e as dificuldades que deveria ter, como ele as supera.. como os demais personagens interagem com ele e criam essa vida sem fazer dele um coitado...

Talvez um Dia me fez suspirar! Não consegui evitar a empatia pelo casal principal e a maneira como o amor entre eles se desenvolveu. A parte mais surpreendente foi: não consegui culpá-los e meu coração ficou dividido entre torcer para que eles superassem um ao outro e torcer para que, de alguma maneira, ficassem juntos.

Vale lembrar que esse é o tipo de livro que divide opiniões por causa do tema~ Então ele entra na lista de você ama ou odeia =)

Personagem favorito do livro: Clichê, mas verdade: Ridge.
Cena marcante: A cena em que o Ridge "escuta" a Syd cantar pela primeira vez.

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[RESENHA] A Garota no Gelo, Robert Bryndza (Gutenberg)


Título Original: The Girl in the Ice
Título em Português: A Garota no Gelo
Ano: 2016
Autor/Autora: Robert Bryndza
Tradutor/Tradutora: Marcelo Hauck
Editora: Gutenberg
Gêneros: Ficção / Literatura Estrangeira / Suspense e Mistério
Páginas: 336
Papel: Off-white 70g/m²
Sinopse oficial: Seus olhos estão arregalados… Seus lábios estão entreabertos… Seu corpo está congelado… Mas ela não é a única. Quando um jovem rapaz encontra o corpo de uma mulher debaixo de uma grossa placa de gelo em um parque ao sul de Londres, a detetive Erika Foster é chamada para liderar a investigação de assassinato. A vítima, uma jovem e bela socialite, parecia ter a vida perfeita. Mas quando Erika começa a cavar mais fundo, vai ligando os pontos entre esse crime e a morte de três prostitutas, todas encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, em águas geladas nos arredores de Londres. Que segredos obscuros a garota no gelo esconde? Quanto mais Erika está perto de descobrir a verdade, mais o assassino se aproxima dela. Com a carreira pendurada por um fio depois da morte de seu marido em sua última investigação, Erika deve agora confrontar seus próprios demônios, bem como um assassino mais letal do que qualquer outro que já enfrentou antes.

O que motivou a leitura?
Comprei esse livro em Abril, em uma promoção da AMAZON, mas só depois de comprar Uma Sombra na Escuridão na BIENAL (Parte 1 | Parte 2) que resolvi tomar vergonha na cara e ler. =)

[RESENHA] - por Ariane
Esse é um daqueles livros igual Kidred - Laços de Sangue, da Octavia E. Butler (RESENHA): fiquei me perguntando o porquê de as pessoas ficarem tão empolgadas com ele, até perceber que eu tinha virado uma página atrás da outra até o livro terminar. Não sou muito de ler romances policiais (apesar de ter alguns vários na estante), mas dei uma chance para o primeiro livro desse gênero do Robert Bryndza. Apesar da narrativa não ter me empolgado, me mantive curiosa o livro inteiro pra saber quem seria o assassino! Mas, vamos começar pelo começo...

Em A Garota no Gelo, conhecemos a detetive Erika Foster, uma Detetive Inspetora Chefe que após passar alguns meses afastada de suas funções devido a uma missão que terminou com a morte de seus companheiros e de seu marido, é chamada de volta e integrada à Delegacia de Polícia de Lewisham Row para resolver um caso de assassinato: a vítima é Andrea Douglas-Brown, uma jovem de 23 anos da alta sociedade de Londres, filha de um influente político.

Assombrada pelo luto e pelos pesadelos de sua fracassada missão, Erika mergulha de cabeça na investigação. Incapaz de seguir as ordens diretas de seu comandante e se manter na sua, a detetive cria inimizades com pessoas poderosas e perigosas que querem a todo custo vê-la fora do caso.

"Quando Erika desligou o celular, estava formigando por causa da atitude de Marsh. Se tinha uma coisa que ela desprezava no Reino Unido era o sistema de classes. Mesmo em uma investigação de assassinato, parecia que Marsh queria que a família tivesse algum tipo de tratamento VIP".

Enquanto acompanhamos o trabalho da equipe, vamos nos aprofundando na vida da protagonista: uma mulher decidida, dedicada e comprometida com o trabalho; e que, apesar de estar presa ao passado, ainda é capaz de caminhar para o futuro.

"- Tenho que continuar, Mark. Continuar a trabalhar. Continuar a viver. Na maioria dos dias eu não acho que consigo continuar sem você, mas tenho que conseguir".

Quanto mais Erika investiga, mais segredos e mistérios sobre Andrea ela descobre e mais perto o assassino chega dela. Agora a socialite está entrelaçada com a morte de outras mulheres, prostitutas, e suas testemunhas começam a desaparecer e serem assassinadas!

Apesar de não ser um dos meus tipos de livro, a escrita de Robert Bryndza e a maneira como ele conduziu a história me agradaram bastante. A narrativa em terceira pessoa e os capítulos curtos deixam o leitor imerso e proporcionam uma leitura rápida e que não permite muitas pausas para respirar. Além disso, a personalidade cativante e o amo-e-odeio com a personagem principal (às vezes eu queria abraçá-la e dizer que tudo ia ficar bem, outras eu queria jogá-la pela janela. Sério.), tornam-na um personagem crível, verdadeiro.

Apesar de não congelar os ossos, como prometia o livro, é um thriller que vale a pena! Se você já leu muitos livros do gênero, provavelmente vai descobrir o assassino antes do final, mas se é um gênero que você está começando, com certeza vai aproveitar bastante!

Personagem favorito do livro: Erika Foster
Cena marcante: Quando a Erika lembra da morte do marido.

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[RESENHA] Filhos da Lua - O Legado, Marcella Rossetti (AVEC)


Título Original: Filhos da Lua - O Legado
Ano: 2016
Autor/Autora: Marcella Rossetti
Editora: AVEC
Gêneros: Aventura / Fantasia / Ficção / Infantojuvenil / Jovem adulto / Literatura Brasileira / Romance
Páginas: 488
Papel:
Sinopse oficial: Você consegue imaginar que a vida que te ensinaram a viver pode não ser aquela para a qual nasceu? Que tudo o que acredita pode não ser inteiramente verdade? E que existem criaturas conhecidas como trocadores de pele vivendo entre nós? Em Filhos da Lua: o Legado, você descobre um novo universo de fantasia urbana, tendo como cenário o nosso país. A autora apresenta uma aventura cheia de mistérios cuja personagem principal é Bianca, uma adolescente que não imagina que sua chegada na cidade desencadearia uma série de acontecimentos capazes de transformar completamente a sua vida e revelar os segredos de um perigoso mundo.

O que motivou a leitura?
Conheci a Marcella no WPF (AQUI) e fiquei bem interessada quando ela me contou sobre a história do livro. =) Acabei comprando com ela. Enrolei pra caramba, mas consegui ler tudo e terminei há algumas semanas!

[RESENHA] - por Ariane
Bianca mora com a meia-irmã, Laura, desde o assassinato dos pais quando ela era pequena. Traumatizada por ter presenciado a morte deles, Bia só consegue lembrar de ter visto um monstro de olhos amarelos que os médicos juram ser fruto de sua imaginação. Apesar de todos os remédios e sessões com psicólogos e psiquiatras, Bianca sofre com os pesadelos e as crises de sonambulismo. Além disso, por causa do trabalho da irmã, elas vivem mudando de cidade, o que torna impossível fazer boas amizades.

E isso tudo dura até que Laura é convidada para um trabalho em Santos (isso mesmo, toda a história se passa no Brasil!!) e Bianca conhece Lucas e seus amigos na escola. Encantada pelo menino mais bonito e popular da escola (clichê =P), ela não resiste em aceitar o convite dele para a balada de re-inauguração do Barba Azul.

Nessa balada que tudo muda: Bianca presencia uma tragédia que beira o inexplicável, pelo pelos para nós, reles mortais, e acaba envolvida em um mundo que só fazia parte das histórias de terror! Bia descobre que lobisomens, ou trocadores de pele - como eles preferem ser chamados -, existem sim e ela é um deles! Diante de uma nova realidade, Bia se vê frente a frente com seu pior pesadelo, cercada por pessoas estranhas que esperam que ela aprenda a usar seus dons - os dons de uma raça extinta : os farejadores - para ajudá-los em sua Causa.

Tanto os personagens quanto os cenários e a ambientalização foram muito bem construídos. No início, precisei usar bastante o Glossário de Termos que a autora colocou no final do livro, principalmente para me familiarizar com as raças e a capacidade de cada um, então até a metade da história - mais ou menos - sofri um pouco, mas depois que 'engatei' foi uma leitura bem tranquila.

"Acho que proteção é o princípio mais puro de toda a nossa sociedade, Bia. Nós vivemos e morremos por essa ideia."

A Marcella conseguiu escrever cenas de ação na medida certa! Normalmente nas cenas de ação tenho mais dificuldade de imaginar como as coisas estão ocorrendo, o que não foi o caso durante essa leitura. Outro ponto interessante foi que ela conseguiu construir um universo digno de autoras de sucesso internacional e traze-lo para o Brasil. Então, se você é um leitor de fantasia e que gosta de conhecer novos universos, Filhos da Lua é uma ótima pedida! 

Já ansiosa para a continuação!!

Personagem favorito do livro: Julian, seu lindo! <3
Cena marcante: A cena da Bia enfrentando a Manuela! Nossa!! Essa cena foi demais!!

Onde comprar?
- AMAZON
- FNAC
- Livraria Cultura
- Livraria Martins Fontes
- Livraria Saraiva

[RESENHA] Outro dia, David Levithan (Galera Record)


Título Original: Another day
Título em Português: Outro dia
Ano: 2016
Autor/Autora: David Levithan
Tradutor/Tradutora: Ana Resende
Editora: Galera Record
Gêneros: Literatura Estrangeira
Páginas: 322
Papel:

Sinopse oficial: Um dos mais inovadores autores de livros jovem adulto e o primeiro a emplacar uma trama gay na lista do New York Times, David Levithan retoma a sua mais emblemática trama em "Outro Dia". Aqui, a já celebrada — com várias resenhas elogiosas — história de "Todo Dia" é mostrada sob o ponto de vista de Rhiannon. A jovem, presa em um relacionamento abusivo, conhece A, por quem se apaixona. Só que A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Mas embarcar nessa paixão também traz desafios para Rhiannon. Todos eles mostrados aqui.

O que motivou a leitura?
Há algum tempo li Todo Dia (RESENHA) e me apaixonei por tudo, tudo mesmo do livro. Então fiquei bem curiosa para ler Outro dia e estou aguardando ansiosamente o Someday!

[RESENHA] - por Ariane
Outro dia, de David Levithan, vai narrar a história de seu predecessor mas agora do ponto de vista de Rhiannon. E confesso que não estava tão empolgada para passar os dias com ela (já que sou apaixonada pelo A) já que, para mim, ela parecia bastante chatinha. Não podia estar mais enganada. Entender os pensamentos, medos e dificuldades de Rhiannon fez toda a diferença, ela deixou de ser a namorada de Justin e o amor de A para ser Rhiannon!

Nossa protagonista é uma garota comum do ensino médio que tem um relacionamento familiar difícil e um namorado mais difícil ainda. Acostumada com as variações de humor de Justin - seu namorado -, Rhiannon vive um dia de cada vez - já que seu namorado não gosta de fazer planos -. E como ela mesma descreve: eles tem os dias bons e os dias ruins: os dias ruins estão cheios de brigas e mágoas (e às vezes sexo); mas às vezes, nos dias bons, Justin é capaz de faze-la esquecer tudo e agradecer por aquele dia. E é um um desses dias bons que surge A.

"Há muitas coisas que podem mantê-la em um relacionamento [...] O medo de estar sozinho. O medo de perturbar a combinação de sua vida. A decisão de se contentar com algo que está bem, porque você não sabe se você pode conseguir algo melhor. Ou talvez haja a crença irracional de que isto vai melhorar, mesmo que você saiba que ele não vai mudar."

Neste dia, sem saber que Justin é A, o casal foge da escola e passa o dia na praia, rindo, conversando, aproveitando a companhia um do outro como ela sempre desejou. Porém, o que Rhiannon vai descobrir é: no dia seguinte Justin é apenas Justin e agora ela tem outra pessoa em sua vida. Uma pessoa que faz com que ela passe a questionar todas as suas certezas. E como agora temos um acesso mais completo à problemática família da protagonista, ao seu relacionamento abusivo com Justin - e, sério, se durante Todo Dia eu não senti vontade de matar Justin a cada duas páginas, nesse eu senti - e aos seus conflitos internos tanto relacionado a ela mesma quanto a A, é possível nos sentir menos etéreos. A dificuldade de Rhiannon em ver e entender A como um ser, não como ele ou ela, mas alguém cheio de vontades e tão... A, faz o leitor se colocar no lugar dela e entender suas motivações,  suas dúvidas, seus medos em relação a condição de A e ao sentimento que está desenvolvendo para com ele/ela.

"O amor tem que ser isso: Ver o tamanho do problema que o cara é e amá-lo assim mesmo, porque você sabe que também é um problema, talvez até pior."

Rhiannon precisa colocar a prova todas as suas certezas: seus pensamentos, suas vontades, desejos e medos são expostos ao leitor cada vez que A aparece no corpo de uma pessoa diferente: às vezes um garoto, outras uma garota, alto(a), magro(a), gordo(a), baixo(a). Junto com a protagonista o leitor é capaz de refletir sobre as mesmas dificuldades, por estarmos todos sujeitos as mesmas imposições socioculturais, e desconstruir um pouco de nós mesmos.
"As palavras são uma parte do problema. O fato de existirem palavras diferentes para ele e ela, dele e dela. Eu nunca tinha pensado nisso antes, em como isso é segregatório. Talvez se houvesse um único pronome para todos nós, não ficaríamos tão presos a essa diferença."

Outro dia não é Todo dia, mas é tão emocionante quanto e assim como no anterior, David Levithan é capaz de abrir um leque de reflexões do mundo atual com apenas uma frase e emocionar os leitores com as dúvidas da personagem.

"Ele sabe que eu o amo. Sei que ele me ama. Essa nunca é a questão. A questão é sempre como vamos lidar com isso."


Personagem favorito do livro: A <3
Cena marcante: Literalmente as últimas linhas do livro =)

Onde comprar?
- AMAZON
- FNAC
- Livraria Cultura
- Livraria Martins Fontes
- Livraria Saraiva

[RESENHA] Poder Extra G #1, Thati Machado


Título em Português: Poder Extra G #1
Ano: 2016
Autor/Autora: Thati Machado
Editora: Astral Cultural
Gêneros: Chick-lit / Literatura Brasileira / Romance / Humor, Comédia
Páginas: 260
Papel:
Sinopse oficial: Empoderamento define. É por isso e a partir daí que a história de Nina — e de Nico, de Marcela e de Noah — existe. Nina não é uma mulher de tipos. E não apenas por causa dos seus noventa e dois quilos. Nina tem atitude e amor-próprio. Talvez não nessa ordem, mas quem se importa? Ao namorar Marco, ela achava que estava subindo mais um degrau rumo ao topo de sua autoestima. É claro que alguns sinais lhe alertavam do contrário, só que o ego pode ser bastante ensurdecedor quando nos convém. Depois de se dar conta da farsa que era o seu relacionamento, Nina deixa sua vida em São Paulo e parte rumo a Buenos Aires, para um mês regado a argentinos sedutores e muito doce de leite. Ela só não esperava que o país dos hermanos pudesse lhe trazer muito mais do que uns quilinhos extras.

O que motivou a leitura?
Vi o comentário sobre o livro no canal do Elefante Voador no youtube, o tema me chamou a atenção por envolver uma garota Plus Size. Então na semana do livro da AMAZON eu acabei comprando e ele está incluso na minha TBR da MLO2018, sendo assim~ já acabei lendo! =)

[RESENHA] - por Ariane
Poder Extra G é narrado quase que totalmente por Nina, nossa adorável protagonista de 92 quilos! Sim, ela está 'um pouco acima do peso' considerado ideal, mas e daí?

"Principalmente se você considerar o fato que levei quase dezoito anos para entender que ser gorda não fazia de mim uma pessoa menos bonita, menos interessante ou menos capaz. O que me tornava tudo isso era o fato de eu aceitar ser diminuída por conta do meu peso, ser conivente com essa palhaçada."

Nina acabou de terminar seu relacionamento de dois anos com Marcos e decidiu viajar para Buenos Aires nas suas férias para se redescobrir. Ela era uma mulher confiante, de auto-estima elevada e que sabe muito bem do que gosta e o que quer (pelo menos na maior parte do tempo =P), mas não dá pra negar que seu relacionamento com o ex-namorado havia a afetado mais do que gostaria de admitir.

Nessa viagem Nina conhece Nico, um argentino carismático dono de uma livraria e que tem uma queda (quase um abismo) por mulheres com curvas acentuadas. O primeiro encontro deles é muito fofo e engraçado e eu cheguei a ficar com inveja pela forma simples e descontraída com que aconteceu! Ela se vê cada dia mais envolvida com Nico - que não tem vergonha NENHUMA de estar ao seu lado, de exibi-la (no bom significado da palavra) para os amigos e família -. Ele a apresenta para sua família, sua mãe, Elena, e irmão, Noah, e ambos a acolhem como um novo membro, mesmo que ela esteja ali apenas por poucos dias. Nico só permite mesmo a entrada de Nina em sua vida depois de ver a reação dela diante de Noah, um homem transexual.

A trama principal gira em torno de Nina estar ali de férias e estar cada vez mais apaixonada e sem saber o que deve fazer. Sua vida, sua família e amigos estão em São Paulo, mas seu amor está na Argentina. Como ela iria escolher um deles? E, para piorar, Marcos viaja para até Buenos Aires atrás dela para reatar o compromisso!

Eu, Ariane, particularmente tive alguma dificuldade com a escrita da Thati Machado. Não por ser ruim, mas não sentir muita empatia. Apesar disso, eu me diverti MUITO, MUITO mesmo acompanhando as maluquices da Nina, o seu jeitinho de ser e suas sacadas geniais em vários momentos da narrativa. Acabei fazendo mais marcações no livro do que pensei que faria no início, principalmente em cenas que achei engraçadas e queria eu mesma reproduzi-las! A forma como a autora trabalhou a questão da garota Plus Size e da transsexualidade foi bem natural, o que faz com que o leitor sinta essa naturalidade também (por que não seria, não é mesmo?)!

A cena que mais gostei foi a do elevador, mas como citá-la aqui poderia ser considerado spoiler, escolhi outro trecho que gostei bastante:

"Eu lhe pedi desculpas pelo mal-entendido e jurei que aquilo era um surto isolado e que, na maior parte do tempo, eu era uma pessoa normal. Mas é claro que isso depende dos parâmetros de normalidade que cada um tem."

Personagem favorita da vez? A Nina! Com certeza! Apesar de não ser um livro que eu escolheria em uma livraria se estivesse apenas passando os olhos, Poder Extra G valeu cada linha lida. Eu me diverti bastante e senti raiva algumas (talvez muitas) vezes. O pessoal da Astral Cultural fez um ótimo trabalho com a diagramação (apesar de eu ter achado a letra pequena no começo porque o livro que li anteriormente a fonte era um pouco maior) e com a capa magnífica! =) Gosto de deixá-la a mostra na estante porque é bem UAU!

Então... Por hoje é só, pessoal!! ~\o\


Onde comprar?